O clássico herói samurai sempre foi tema para diversas histórias nipônicas, contos, filmes e também está enraizada na cultura pop japonesa, principalmente entre os mangás e animes.

Uma destas referências icônicas do universo otaku, sem sombra de dúvidas, foi (e ainda é) Rurouni Kenshin ou Samurai X (como ficou conhecido no Brasil). O anime e o mangá marcaram gerações através de personagens profundos, cenas fortes de lutas e violência, além de uma narrativa intensa.

 

rurouni kenshin

 

História

Rurouni Kenshin foi lançado por Nobuhiro Watsuki em 1994 no Japão e baseia-se em muitos acontecimentos fruto de um dos períodos mais conturbado na história do país, o Bakumatsu. Este acontecimento ficou conhecido como a “fase final do Xogunato”, resultado de uma disputa interna entre aqueles que defendiam o xogunato e manter o país fechado ao restante do mundo e aqueles que desejavam a abertura do Japão.

O protagonista Kenshin Himura, foi um dos responsáveis por trazer uma nova Era. Ainda muito jovem, com apenas 14 anos, se alinhou aos imperialistas nos campos de batalhas, utilizando a sua habilidade excepcional como espadachim, onde ficou conhecido como Hitokiri Battousai, o retalhador que possuía uma cicatriz em forma de cruz, no lado esquerdo do rosto, marcas adquiridas em batalhas. Com a entrada da Era Meiji, Battousai desaparece dos campos de batalha e torna-se um ronin (samurai errante), arrependido pelas mortes que cometeu, vaga pelo país ajudando pessoas.

Uma das características de Kenshin, é a sua constante culpa e a procura rendenção, onde busca proteger os fracos e evitar a morte, mesmo dos inimigos. O sentimento de preservação da vida é um aspecto que é reforçado pela existência da sakabatou (espada de lâmina invertida) que o herói carrega consigo.

No decorrer da história diversos outros personagens passam a surgir, como a professora de kenjustu Kaoru Kamiya, o batedor de carteira Yahiko Miyojin, que foi salvo por Kenshin, o mercenário Sanosuke Sagara e a médica Megumi Takani, que acabam formando o grupo de protagonistas.

 

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Diversas sagas ocorreram como da de Edo, onde Kenshin enfrentou diversos inimigos, a emblemática saga de Kyoto, como o megalomaníaco Makoto Shishio. Já algumas sagas são exclusivas do anime como: a do vilão Shogo Amakusa, a série de Shogo Amakusa, saga de Kaishuu Katsu, a dos Cavaleiros Negros e a saga do Feng Shui. A saga de Jinchuu ou de Enishi Yukishiro explica a história de Kenshin antes de se tornar um andarilho, que aparece tanto no mangá quanto nos OVAs (Original Video Animation).

Sucesso de Rurouni Kenshin e a ligação com o Japão Moderno

Tanto o anime quanto do mangá fizeram grande sucesso no Japão e fora dele. De acordo com Cristiane Sato, autora do livro Japop: O Poder da Cultura Pop Japonesa, Rurouni Kenshin atingiu grande popularidade devido a mistura de uma história com personagens baseados na vida real e em uma época antiga, aliados a características de super heróis.
A história é ambientada na segunda metade da Era Meiji, um período de transição e de profundas transformações na sociedade japonesa, temática que ia contra a tendência de temáticas de mangás na época, que envolviam histórias fantasiosas e futuristas, conseguiu destaque entre os leitores.
A autora ainda salienta que diversos observadores fazem paralelos entre o período antigo com o atual fenônemo da globalização. Como reflexo deste processo, Watsuki dividiu seus personagens conforme as posturas individuais perante as mudanças: os otimistas (os heróis) e os pessimistas (os vilões), e apesar da história de Kenshin seguir a típica receita-torneio, o desfecho final surpreendeu à todos os fãs, com a separação do grupo, onde cada um dos protagonistas seguiu seu próprio caminho. Fato que apontava a formação individual como uma tendência decorrente ao crescimento da globalização e desaquecimento econômico dos anos 90, evento que rompeu com a doutrina grupal pregada à séculos pela sociedade japonesa.
Rurouni Kenshin, tornou-se uma grande referência entre muitos fâs de animes e mangás, com um roteiro rico em elementos históricos, resgatou valores e ao mesmo tempo que trouxe a abertura para diversos outros. E apesar de se passar em uma época antiga, reflete a um momento atual de incertezas, de novos valores e cheio de desafios, fatores que sensibilizaram e despertaram empatia de leitores de todo o mundo.

Referências:
Japop: O Poder da Cultura Pop Japonesa – Cristiane A. Sato
http://rurounikenshinprofile.blogspot.com.br/p/rurouni-kenshin-wallpapers.html
http://travelsamurai.blogspot.com.br/
https://tri4mut.wordpress.com/2014/12/22/rurouni-kenshin-kyoto-inferno-kenshins-journey-back-to-kyoto/
http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8157/tde-26012009-144033/pt-br.php