Viagem dos japoneses ao Brasil
Viagem dos japoneses ao Brasil

 

O Brasil é um país reconhecido por abrigar uma grande variedade étnica. Um dos títulos que o assegura como um dos berços raciais é sua posição como a maior comunidade nipônica fora do Japão. Fruto das constantes migrações de japoneses para o Brasil entre o início até a metade do século XX.

Esta foi uma situação oportuna no Brasil perante a ausência de mão-de-bra para a cultura cafeeira acarretada pela instituição da Lei Áurea, ourtorgada pela Princesa Isabel em 1888, o que provocou a carência braçal nas lavouras de café. Já o Japão passava por diversas mudanças sociais, políticas e econômicas provocadas com o início da Era Meiji (1868-1912). O governo japonês introduziu o processo de industrialização e urbanização no país, contudo esta medida resultou no detrimento agrário, prejudicando principalmente os pequenos produtores. Estes se viram obrigadso a fazer uma viagem sem volta a um continente desconhecido. O excedente demográfico também foi outro fator que estimulou o posicionamento do governo japonês, perante a migração, identificando-a como uma alternativa para reduzir a pobreza que se alastrava no arquipélogo.

Acordo que foi confirmado no assinado do Tratado de Amizade, Comércio e Navegação entre o Brasil e Japão. Acordo realizado em 5 de Novembro de 1895 em Paris.

 

Propaganda de incetivo a migração para o Brasil
Propaganda de incentivo a migração para o Brasil

 

O ciclo da imigração japonesa para o Brasil deu início em 28 de Abril de 1908, no porto de Kobe, uma longa e exaustiva viagem de 52 dias, e em 18 de Junho de 1908 o navio Kasato Maru atracou ao porto de Santos, transportando 781 passageiros (compostos por 165 famílias). O navio aportou coincidentemente no periodo junino, este provido das festas típicas, como a de São Pedro e São João, o que motivou toda a tripulação inocentemente imaginar que o foguetório era para recepcioná-los e dar-lhes boas vindas.

 

Primeiros imigrantes a embarcar no Kasato-Maru
Primeiros imigrantes a embarcar no Kasato-Maru

 

Partida do navio Kasato Maru do porto de Kobe
Partida navio Kasato-Maru do porto de Kobe

 

Navio Kasato Maru no porto de Santos
Navio Kasato-Maru no porto de Santos

 

Após o desembarque dos passageiros, estes eram encaminhados e retidos na Hospedaria de Imigrantes, onde foram alojados e depois divididos em grupos e conduzidos aos trens onde estes os levariam aos seus locais de destino, as fazendas de café do estado de São Paulo.

 

Japoneses alojados na Hospedaria de Imigrantes
Japoneses alojados na Hospedaria de Imigrantes

 

Apesar do processo migratório entre o Brasil e o Japão aparentar grande êxito, o mesmo evidênciou grande despreapro por meio de ambas as nações. A Compahia Imperial de Imigração oferecia um pequeno curso de português para os japoneses antes de embarcarem na viagem, além disso, recebiam orientações de como proceder em terras brasileiras. As aulas foram ministradas em aproximadamente duas semanas no centro de Imigração da cidade de Kobe. Além disso, o governo japonês aplicou propagandas exageradamente positivas com relação a migração, o que gerou frustração e desânimo aos nipônicos recém-chegados ao novo país. Outro aspecto até hoje pouco abordado na literatura, eram as condições precárias pelos passageiros expostos durante a viagem de navio, os mesmos eram acomodados ao lado de um grande depósito de carvão onde se localizava nos porões do navio. Havia superlotação de pessoas e pouca circulação de ar, deste modo, logo aparecerem os primeiros enfermos, devido ao frio e por passar muitas horas com a roupa molhada. Além disso a alimentação era escassa, alimentavam-se duas ou três vezes ao dia, com uma ração de peixe com arroz e muitas vezes os próprios passageiros inseriam conservas que traziam de sua terra natal.

Ao chegar ao Brasil os japoneses passaram por diversas complicações, sobretudo durante seu estabelecimento nas colônias cafeeiras, uma delas era a dificuldades na comunicação, tanto com os colonos quanto os imigrantes de outras nacionalidades. A adaptação a alimentação nativa acarretou no enfraquecimento físico e a favoreceu na exposição a doenças somáticas como malária, tifu e desnutrição. Contudo, a mais relevante, foi o trabalho em que foram submetidos, atividades em regime semi-escravocrata, onde capangas era pagos para vigiar os imigrantes e impedir casos algum deles tentasse fugir.

 

Japoneses na lavoura de café
Japoneses na lavoura de café

 

Outros fatores definiram sua permanência no país. A pretenção dos japoneses imigrantes era se estabelecer no país entre um ano, tempo suficiente para realizar a primeira colheita, todavia inúmeros problemas se desenvolveram e impediram seu retorno ao Japão.
O principal deles era a incompatibilidade do salário prometido, este não ultrapassava 60 centésimos de iene para uma família de três pessoas, sendo que o prometido fora de 5,4 ienes/dia. Assim, os japoneses também contraíam dívidas em mercearias que vendiam produtos por preços abusivos devido ao forte monopólio comercial. Tornando impraticável a volta à seu país natal, esta realidade provocou não somente aborrecimento e tristeza, mas também espelhou o fracasso financeiro e também a desonra de não cumprir a promessa de regressar ao Japão com a riqueza adquirida, e satisfazer as determinações feita por seu imperador. Outro detalhe que por fim definiu o enraizamento dos japoneses no Brasil, foi o início da Segunda Guerra Mundial e o ataque das bombas atômicas nas cidades de Hiroshima e Nagasaki que resultou na rendição do país perante os norte americanos, e sobretudo, gerou ainda mais instabilidade na nação e o enfraquecimento econômico.

Após o término contratual com as fazendas, muitos imigrantes se embrenhavam em viagens para o interior de São Paulo e Paraná, em busca de uma melhor vida, aqueles que não coseguiram pagar suas dívidas fugiam das fazendas durante a noite para outras localidades e outros que não encontravam mais estímulo para sobreviver, cometiam suicídio.

 

Imigrantes japoneses no interior de São Paulo
Imigrantes japoneses no interior de São Paulo

 

Família de imigrantes japoneses
Família de imigrantes japoneses

 

Diante de todas as situações adversas, dos momentos de sofrimento, e sonhos não realizados, os japoneses conseguiram prosperar em terras estrangeiras, a partir do esforço, dedicação, disciplina, perseverança e honestidade estes conquistaram e ainda lutam para se inserir no espaço social, absorvendo e aplicando as lições recebidas durante sua trajetória no Brasil, adquirindo o respeito e admiração do povo brasileiro, a prova disso é a situação atual da colônia nikkei no país.

REFERÊNCIAS:
http://www.museudaimigracao.org.br/acervodigital/index.php
http://www.japao100.com.br/arquivo/kasato-maru/
AKIYAMA, Yoshiro – Todo Dekassegui é um Urashima Taro. Editora Autores Paranaenses. 2008.
GALIMBERTTI, Percy – O caminha que o Dekassegui sonhou: cultura e subjetividade no movimento dekassegui. Editora Eduel. 2000.