Em busca de melhores condições de vida e enriquecimento, os primeiros japoneses desembarcaram no porto de Santos no dia 18 de Junho de 1908, movimento que atraiu a vinda de mais imigrantes nos anos seguintes, aumentando gradativamente a quantidade de nipônicos no país.

O processo de assentamento de imigrantes japoneses no Brasil trouxe um profundo confronto cultural, devido a nova e contrastante realidade que acabou provocando a busca da manutenção identitária e dos costumes, que acarretou a união em colônias.

Neste cenário, houve um personagem de grande importância para amenizar a saudade dos imigrantes, o Shinema-ya. Estes eram projecionistas de cinema que percorriam as fazendas o interior dos estados, principalmente, o noroeste do Estado de São Paulo e o norte do Paraná, levando seu equipamento em carroças.

 

shinema-ya de bastos em 1936
Shinema-ya de Bastos em 1936

 

Esta atividade começou na década de 20 e exibia curtas e longas metragens mudos de diversos gêneros, desde romances até aventuras samurais. Muitas vezes, os projecionistas ocupavam a função de benshi, tratava-se de um apresentador que por vezes dublava os atores (tanto homens, mulheres e até jovens), também fazia um breve resumo da história e em diversas cenas realizava explicações, especialmente, em situações que encenavam os costumes ocidentais. O Shinema tornou-se muito mais que um recurso de entretenimento, mas uma forma de se atualizar com as tendências do Japão e retomar as lembranças do país natal.

Uma das características marcantes destes cinemas itinerantes era o caráter de improviso. Normalmente as sessões eram sempre pontuais e realizadas em tendas, quando não havia energia elétrica no local, amarrava-se uma correia à roda traseira de um caminhão erguido, para que a sua rotação acionasse um gerador que por sua vez ligava os projetores. Apesar de não ser cobrada o ingresso, os chefes das famílias ofereciam uma contribuição ao Shinema-ya, onde era entregues em um envelope com o nome do doador, e este recebia os devidos agradecimentos antes de iniciar o filme.

O avanço tecnológico modificou também a forma de trabalho do shinema-ya, um exemplo disto foi a chegada do cinema falado, que necessitou do uso de caixas acústicas em seu equipamento e que acabou por substituir o benshi em vários momentos.

Uma belíssima obra que expressa e homenageia este profissional é o curta “Chá Verde e Arroz” da cineasta Olga Futemma que retrata a vida e a rotina deste peregrino cultural, que por onde passava deixava um pouco da nostalgia e a esperança a este povo.

 

 

REFERÊNCIAS:
http://jojoscope.com/2013/01/cha-verde-e-arroz/
https://gaijin4ever.wordpress.com/tag/cinema-japones/
http://50anosdetextos.com.br/2012/o-esplendor-dos-filmes-japoneses-na-liberdade/
http://maringaparanabrasil.blogspot.com.br/2011_04_01_archive.html